domingo, 10 de maio de 2009

Aleitamento Materno: um ato de amor!

por Paula Moreira

Nada melhor do que falar sobre a amamentação no dia das mães, já que são elas as grandes responsáveis pelo importante aleitamento materno! A gestação é um momento único na vida de qualquer mulher. Além das mudanças que ocorrem em seu corpo, a espera de um filho marca uma nova fase de grandes emoções, expectativas e ansiedade. Durante essa etapa, a futura mãe passa por diversas alterações que vão desde fisiológicas a emocionais. Cada uma apresenta uma razão e, por isso, nenhuma pode ser menosprezada já que são essenciais para a saúde da futura criança. Uma das modificações mais importantes que ocorre no corpo da mulher é a preparação para a amamentação, que envolve tanto a mamogênese como a lactogênse. A primeira envolve primordialmente a preparação da mama para o aleitamento, com o aumento do volume e a produção de novos ductos lactíferos. Já a segunda está mais relacionada à produção do leite e ocorre principalmente no trimestre final da gravidez. A produção do leite é determinada pela ação hormonal durante a gestação e intensificada após o nascimento.

Nessa fase, o leite materno se constituirá no alimento principal para a nutrição infantil, além de ser um momento de prazer e satisfação para o recém chegado. Através do leite materno, o bebê terá tudo que precisa para se desenvolver e crescer da melhor maneira possível. As vantagens oferecidas são inúmeras e comprovadas por diversos estudos. Por meio desse leite são transferidos anticorpos de mãe para filho, fortalecendo a imunidade da criança nos primeiros meses de vida nos quais ainda não é capaz de se defender, diminuindo a incidência de diversas doenças. O leite materno também possui todos os nutrientes em quantidades ideais para o melhor crescimento e desenvolvimento da criança, além de ser uma ótima fonte de água. Esse último fator explica a não necessidade de se oferecer água ao bebê nos primeiros meses de vida. A sua sede é saciada com as mamadas sem prejuízo algum. Caso a água seja oferecida, o bebê pode consumir menos leite, o responsável pelo fornecimento de energia. Isso porque seu estômago estará parcialmente preenchido e se essa ação for muito freqüente, o ganho de peso pode não atingir seu potencial.

Os benefícios que a amamentação traz para o bebê são sempre reforçados preferencialmente em relação às vantagens maternas que também são muitas. Por exemplo, a aceleração do retorno das condições fisiológicas anteriores à gravidez, como o peso pré-gestacional; a prevenção de novas gestações durante esse período; e a maior delas, entre outras, que é comum tanto ao bebê quanto a mãe, é o laço criado entre os dois. Esse hábito representa um momento íntimo entre mãe e filho, onde este se sente protegido e seguro de que não há melhor lugar a não ser perto da pessoa que o gerou. É o momento em que a mãe mostra e o filho sente todo o seu amor e carinho. Por esse motivo, a amamentação deve ser realizada de preferência em locais calmos, onde mãe e filho possam desfrutar da situação. Esse laço fica claro logo nos primeiros meses de vida, quando o bebê já reconhece a voz da mãe e, ao ouvi-la, se acalma.

A partir de todos os benefícios que o aleitamento materno traz, a OMS criou padrões de referência que devem, sempre que possível, ser seguidos pelas mães.
- Aleitamento materno exclusivo: até 6 meses de idade da criança -> nesse período recomenda-se que o consumo do leite materno seja EXCLUSIVO, ou seja, a alimentação do bebê não deve ser complementada com alimentos, nem mesmo água e chás.
- Aleitamento materno complementar: após 6 meses de idade -> a partir dessa idade, além do leite materno, a criança passa a necessitar de outras fontes alimentares para seu desenvolvimento e crescimento. É o momento do início da inserção de sucos, água, frutas vegetais, arroz, macarrão e carnes cozidos, quando necessário, e amassados. À medida que a criança vai crescendo, mais alimentos são incorporados e mais semelhante à alimentação do adulto (por isso a importância de hábitos alimentares saudáveis por toda família). Aconselha-se a manutenção do leite materno na alimentação da criança até os dois anos de idade, quando mãe e “filho” decidem se o mantém ou não.

MITOS: Um questionamento muito comum entre as mães é o fato de elas acharem que seu leite é “fraco” ou insuficiente. - Não existe leite fraco! Toda mãe está apta a fornecer o melhor leite para seu filho. Para isso, basta a mãe se alimentar e viver de maneira saudável e não ser portadora de nenhuma doença que possa ser transferida para seu filho através do leite, como o HIV. O fato da criança, em determinadas situações, não estar ganhando peso é muitas vezes erroneamente relacionado a defeitos do leite. No entanto, isso provavelmente ocorre em função da mãe oferecer o peito à criança sempre que requisitado fazendo com que o bebê realize várias mamadas, sem se atentar à sua duração. A composição do leite do início da mamada é muito rica em água e evolui durante a mamada para um leite mais denso, rico em gorduras, carboidratos e outros nutrientes. Com isso, pequenas mamadas não englobam a parte mais energética e nutritiva do leite e podem fazer com que os intervalos entre uma e outra sejam realmente curtos, pois rapidamente a fome retornará. Além disso, é importante ressaltar que o choro do bebê não significa que ele necessariamente esteja com fome, pode ser um sinal de cólica, de fralda suja e até frio ou calor. Nesse contexto, é fundamental lembrar que o aleitamento materno deve ser fornecido à livre demanda. Ou seja, sempre que requisitado pelo bebê e não com horários fixos previamente estipulados. Mas é necessária a observação de que realmente se trata de fome, além de especial atenção à duração da mamada, a qual não é fixa já que esse período varia (em média, de 5 a 20 minutos em cada mama), a fim de que não seja curta de acordo com o hábito da criança. Recomenda-se que, de forma geral, quando o bebê esvaziar uma mama deve ser ofertada a outra e deixá-lo até recusar, iniciando-se no próximo momento de amamentação na última mama ofertada.
Já em relação à quantidade do leite a afirmação de mães que dizem não ter leite suficiente pode ser verdade. A produção do leite após o nascimento da criança é estimulada pela própria mamada e, ao inserir outros líquidos ou alimentos, tornando o aleitamento menos freqüente ou segurando o bebê de forma que dificulte a sucção adequadamente, sua produção pode diminuir. O que ocorre é que, ao mamar, a sucção realizada pela criança gera um contato com a aréola e com o mamilo estimulando receptores sensitivos ali presentes que enviam um sinal para o cérebro produzir um hormônio que irá atuar estimulando essa produção. Se há diminuição e inadequação desse contato, a estimulação e, por conseqüência, a produção de leite irão diminuir. Esse hormônio é conhecido como prolactina e está destacado na figura ao lado. Outro motivo que também contribui para esse quadro é que, quando o leite não é extraído da mama ocorre um aumento da pressão capilar, inibindo uma nova síntese de leite. Ainda existem outros hormônios relacionados com a produção do leite, como a Ocitocina, que também é muito importante nesse contexto, atuando na liberação do leite produzido para os ductos lactíferos.

CURIOSIDADES:

- O escurecimento das aréolas que ocorre durante a gravidez além de possuir efeito protetor à aréola, está relacionado também ao fato de gerar uma melhor visualização ao bebê;
- A sonolência e cansaço sentidos, principalmente nos primeiros meses de gravidez, é uma adaptação fisiológica do corpo da mãe para que, ao ficar mais sossegada, proteja o bebê de movimentos bruscos, já que nesse período a gestação ainda é muito frágil;
- Durante a gestação as narinas maternas ficam aumentadas como forma de captar mais oxigênio atmosférico, já que o feto também necessita desse composto;
- Durante a lactação a mama atinge de 600 a 800g, sendo o normal de uma mulher adulta 200g;

FELIZ DIA DAS MÃES!




Referências Bibliográficas

Ministério da Saúde. “Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 anos”. Brasília, 2002.

GIUGLIANI, E. R. J. “O aleitamento materno na prática clínica”. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, 2000.

VITOLO, M. R. “Nutrição da Gestação ao Envelhecimento”. Pág. 119-159. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.

2 comentários:

Caroline disse...

Ficou muito boa essa postagem...Parabéns!!!

Caroline disse...

Paula, parabéns!! Ficou muito bom o texto!