segunda-feira, 30 de abril de 2007

Ferro consumido é ferro absorvido?

Por Kátia Godoy

O ferro é um micronutriente essencial ao nosso organismo. É necessário em pequenas quantidades, porém isso não diminui sua importância no metabolismo humano. Ele é encontrado naturalmente nos alimentos e compõe estruturas do nosso corpo como os grupos ditos heme das proteínas transportadores de oxigênio (hemoglobina e mioglobina). Faz parte também da proteína transportadora de elétrons das mitocôndrias, o citocromo C. Uma dieta equilibrada é o suficiente para atender às nossas necessidades diárias de ferro, porém alguns pontos devem ser considerados para que isso de fato aconteça e não haja o desenvolvimento de doenças relacionadas à sua deficiência, como a anemia ferropriva.

Esse micronutriente pode ser encontrado em duas formas na alimentação, o ferro proveniente de fontes animais como as carnes vermelhas em geral, especialmente em vísceras, como o fígado, rim e coração; e o oriundo de fontes vegetais, como grãos de leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, soja), vegetais folhosos como espinafre, couve, rúcula, agrião e outros A forma de origem animal é mais prontamente absorvida. Essa forma, nas condições encontradas no intestino, é solúvel e sofre mínima influência de fatores químicos e/ou alimentares. Há também um transporte facilitado nas células do intestino para sua captação. O inverso ocorre com o ferro de origem vegetal, que é mais suscetível a compostos que atrapalham a absorção de minerais da dieta por se ligarem a eles e formarem complexos insolúveis. O fitato (principal forma de fósforo nos grãos de cereais e leguminosas) é um exemplo dessas substâncias que são chamadas anti-nutricionais. Porém também há compostos que facilitam a absorção, como a vitamina C que se liga ao ferro proveniente de fontes animais, formando compostos solúveis e impedindo que substâncias anti nutricionais se liguem ao mineral. Ou seja, os dois tipos de ferro podem ser absorvidos, porém a situação é mais facilitada para o ferro de origem animal.

Então, é importante notar que o conteúdo total de ferro na alimentação não é um indicador real de adequação, pois a disponibilidade desse mineral para o nosso organismo depende de alguns fatores como a qualidade e elementos ou compostos químicos que facilitam ou prejudicam a absorção. O importante é que essa absorção de ferro seja suficiente. A escolha consciente do tipo de alimento e das suas possíveis combinações é essencial para se ter uma dieta saudável e eficiente.



Fonte: TIRAPEGUI, J. Nutrição: Fundamentos e aspectos atuais. 2ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2006.
Brazilian Journal of Plant Physiology ISSN 1677-0420. In: www.scielo.br/scielo.php

2 comentários:

Anônimo disse...

Achei muito educativa a informação sobre a importância do ferrro na alimentação. Considerando que atualmente as farinhas são enriquecidas de ferro, existe alguma possibilidade de excesso deste mineral no organismo? O estresse oxidativo ligado ao processo de doença e envelhecimento pode aumentar com o excesso de ferro no organismo?

Centro de Pesquisa em Alimentação Saudável - CASA disse...

A possibilidade de excesso de ferro no organismo saudável está mais ligada ao uso de suplementos de ferro (sulfato ferroso, por exemplo). Quando o nível de ferro no organismo fica alto demais, ele acaba se tornando tóxico, pois pode se acumular em órgãos como o fígado, rins, coração e glandulas endócrinas. Este excesso pode ser até mais danoso do que a anemia. Algumas pessoas possuem doenças metabólicas que levam a um maior acúmulo deste mineral no organismo, a hemocromatose é uma delas. Para essas pessoas níveis tolerados por pessoas normais podem ser tóxicos. Mas, pela alimentação em si, é muito raro ocorrer a intoxicação por este elemento.
Existem diversas evidências ligando o aumento do estresse oxidativo com o excesso de ferro no organismo. Esse aumento do estresse oxidativo é o principal responsável pelos danos do excesso de ferro.