terça-feira, 9 de abril de 2013

O que você sabe sobre adoçantes?


           


            Se você costuma olhar os rótulos dos produtos que compra, provavelmente já deve ter visto no final da lista de ingredientes vários nomes meio complicados que você não conseguiu identificar, não é?


Esses ingredientes são os aditivos alimentares, substâncias geralmente sem valor nutritivo que são adicionadas aos alimentos para modificar características sensoriais, como sabor, cheiro, cor e textura, e também para conservação e estabilização. Eles estão comumente presentes nos produtos industrializados. Alguns exemplos de aditivos são os espessantes, os corantes, os aromatizantes, os conservadores, os antioxidantes e os edulcorantes.
Os edulcorantes são substâncias, diferentes dos carboidratos, usadas para adoçar os alimentos, por isso, também chamados de adoçantes. São geralmente utilizados por pessoas que almejam diminuir a ingestão calórica para controle do peso ou que necessitem controlar o consumo de carboidratos, como por exemplo, os portadores de diabetes, e também estão presentes em produtos diet e light, que tem isenção total ou parcial de algum ingrediente, respectivamente, nesse caso o açúcar. Podemos citar alguns desses produtos: refrigerantes, sucos industrializados, chocolates, iogurtes, biscoitos, gomas de mascar, gelatinas, sorvetes.


          Os edulcorantes mais comuns são: aspartame, ciclamato de sódio, sacarina sódica, stevia, frutose, acessulfame-K, sucralose, manitol, xilitol, sorbitol. O aspartame, a frutose, o sorbitol e o xilitol fornecem 4 Kcal/g e o manitol, 2,4 Kcal/g. Os demais não possuem calorias. Esses produtos possuem poder adoçante maior que o da sacarose (“açúcar de mesa”), alguns deles com potencial bastante alto, como a sucralose, com poder adoçante de 600 a 800 vezes maior que o açúcar.


Em 2008, a ANVISA, órgão que regulamenta o uso de aditivos alimentares no Brasil, atualizou a lista de edulcorantes permitidos no país, que conta com 16 tipos de adoçantes.

Como vem aumentando o consumo de produtos industrializados, a ingestão dos aditivos alimentares também cresceu, e o consumo excessivo e crônico dessas substâncias pode ter consequências negativas. Em relação aos edulcorantes, surgiram discussões em relação ao potencial carcinogênico do uso contínuo desses ingredientes.

Para proporcionar mais segurança no consumo desses produtos foram estabelecidos limites para a ingestão de edulcorantes, a partir de vários estudos toxicológicos. A Ingestão Diária Aceitável (IDA) é a quantidade máxima que se deve consumir de determinado aditivo que não causará efeitos nocivos à saúde e é expressa em mg/Kg de peso corpóreo. Por exemplo, o aspartame tem uma IDA de 40mg/Kg de peso corpóreo, o que significa que uma pessoa de 60 Kg poderá consumir diariamente 2400mg, sem risco significativo.

O ciclamato e a sacarina devem ser usados com moderação por pessoas hipertensas, pois contém sódio em sua composição, o que pode contribuir para o aumento da pressão.

Os edulcorantes podem ter gostos residuais e a stevia é um que apresenta essa característica bastante presente. Esse adoçante é um produto natural extraído de uma planta e tem poder adoçante 300 vezes maior que o da sacarose (“açúcar de mesa”). Muitas pessoas não se adaptam ao uso da stevia pelo seu sabor residual amargo.

Os adoçantes podem ser uma boa opção para aquelas pessoas que queiram reduzir o peso ou precisem reduzir o consumo de açúcares. Mas, em outras situações, não há necessidade de seu uso. O que deve sempre ser lembrado, é que em qualquer situação é importante reduzir o consumo de produtos industrializados, que geralmente possuem grandes quantidades de açúcar e outros ingredientes (gordura e sódio) que em excesso podem trazer danos à saúde.


Referências:

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa autoriza novos edulcorantes em alimentos. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2008/190308.htm. Acesso em: 04 Abr. 2013.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe Técnico nº 17, de 19 de janeiro de 2006. Considerações sobre o Uso do Edulcorante Aspartame em Alimentos Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/informes/17_190106.htm. Acesso em: 04 Abr. 2013.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Edulcorantes e suas características. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/adocantes.pdf. Acesso em: 04 Abr. 2013.
ZANINI, Roberta de Vargas. Prevalência de utilização de adoçantes dietéticos: um estudo de base populacional. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pelotas; Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, 2010. Pelotas: UFPel, 2010. Disponível em: http://www.epidemio-ufpel.org.br/uploads/teses/dissert%20zanini.pdf. Acesso em: 04 Abr. 2013.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Hipertensão Arterial x Consumo de sal


Hoje em dia, com o ritmo de vida acelerado, alimentação inadequada e sedentarismo houve um aumento no número de indivíduos portadores de doenças crônicas, dentre elas a Hipertensão Arterial Sistêmica. Esta doença é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares, sendo a causa de mortes em 40% dos casos de acidente vascular cerebral e 25% das doenças cardiovasculares, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2010). 

Mas afinal, o que é Hipertensão Arterial Sistêmica? Esta doença caracteriza-se pela elevação anormal das pressões arteriais sistólica e/ou diastólica, com valores acima de 140 x 90 mmHg, obtidas por 3 repetições em cada consulta, nos 2 braços,  em diferentes ocasiões. Se a medição ocorrer em casa, é importante procurar o serviço de saúde mais próximo para diagnóstico e tratamento correto.


Um dos fatores relacionados a esse aumento é o consumo excessivo de sódio. A recomendação individual diária da Organização Mundial de Saúde de sódio é de 2400 mg (ou 6g de sal – NaCl), mas segundo dados do Ministério da Saúde (2004), brasileiros consomem em média o dobro disso: 12g de sal. Esse alto consumo é devido tanto ao sal de adição como pelo consumo de produtos industrializados, desde biscoitos recheados até massas congeladas, que contem sódio utilizado como conservante, em grandes quantidades.

Como já foi mostrado, é muito importante reduzir esse consumo, mas o que fazer? O ideal é retirar o saleiro da mesa, evitar o consumo de temperos prontos e o consumo de produtos industrializados. Como alternativa a essas mudanças, é importante usar ervas e condimentos naturais, como alho, cebola, coentro, salsinha, orégano, pimenta, tomilho e muitos outros para temperar os alimentos de forma saudável.
            Deixo para vocês duas receitas que levam esses ingredientes e são ótimas alternativas:
Sal de ervas
Para fazer o sal de ervas, será necessário quantidades iguais de alecrim, manjericão e orégano desidratados (100g cada uma) acrescidos de 100g de sal. Bata tudo no liquidificador e guarde em embalagem bem fechada. Pode ser utilizada em substituição ao sal comum.
Tempero caseiro
Para essa receita, utilize 3 cabeças de alho, 2 cebolas médias e 1 colher de sopa da erva de sua preferência (orégano, por exemplo). Depois de descascar tudo, bata no liquidificador e conserve na geladeira. Pode ser utilizado como tempero de arroz, feijão, carne e caldos.

Referências Biliográficas:
Sociedade Brasileira de Cardiologia / Sociedade Brasileira de Hipertensão / Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95(supl.1): 1-51. Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2010/Diretriz_hipertensao_associados.pdf.
Molina M.C.B., Cunha R.S., Herkenhoff L.F., Mill J.G. Hipertensão arterial e consumo de sal em população urbana. Rev Saúde Pública 2003;37:743-750. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102003000600009.
BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa do IBGE revela que o brasileiro mudou seu padrão alimentar. Disponível em: http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/pesquisaIbge.pdf.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/guia_alimentar_conteudo.pdf.



quinta-feira, 21 de março de 2013

Hortaliça NÃO é SÓ salada!


As hortaliças, conhecidas também como verduras e legumes, são fundamentais para uma alimentação saudável. São fonte de vitaminas, sais minerais, fibras e compostos bioativos, que protegem a saúde contra doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e obesidade, e evitam a ocorrência de deficiências nutricionais.

Entretanto, apesar da importância das hortaliças na nossa alimentação, seu consumo no Brasil está abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde. Isto se deve especialmente à crença de que alimentação saudável é composta por alimentos sem gosto. Este é um grande equívoco, pois existe uma infinidade de maneiras de preparar hortaliças, podendo ser adequadas ao paladar de qualquer pessoa.

Salada de Rúcula com Manga
Visando aumentar esse consumo de hortaliças pela população, a Embrapa lançou o “HORTALIÇA NÃO É SÓ SALADA”, um programa que apresenta o mundo das hortaliças. Além de trazer dicas sobre a compra, armazenamento e consumo desses alimentos, oferece 160 opções de receitas nutritivas à base de hortaliças, desde preparações simples, como sucos, e até mesmo receitas mais elaboradas que podem ser oferecidas em um jantar formal.

O mais atraente é o custo dessas preparações. A porção da Salada de Rúcula com Manga custa em média R$1,45 e do Talharim com Brócolis R$2,20. E por que não incrementar o tradicional arroz? O custo médio de uma porção do Arroz com Espinafre é apenas R$0,77. E ainda tem a sobremesa: 1 unidade de Bombom de Cenoura, Nozes e Coco custa cerca de R$0,16!
Bombom de Cenoura, Nozes e Coco

Isso mostra a diversidade de preparações que podem ser feitas com as hortaliças gastando muito pouco. Usufrua de todos esses sabores e diversifique sua alimentação!

Confira todas as receitas e as informações apresentadas neste programa:


sábado, 9 de março de 2013

Você conhece o amaranto?



por Giovana Coêlho
Durante as refeições diárias, é ideal que cada pessoa preste atenção no que está ingerindo. É o momento ideal para repensar a escolha de alimentos. Substituir cereais refinados, como a farinha de trigo branca, o arroz branco e o pão francês por cereais integrais, como amaranto, arroz integral, quinoa e aveia é uma boa opção. Além de promoverem uma grande saciedade, a ingestão de cereais integrais pode contribuir para a redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.
O amaranto, no grupo dos cereais integrais vêm trazendo uma série de benefícios nutricionais e já é considerado um dos alimentos com melhor valor nutricional. Pesquisam comprovam que o amaranto tem a capacidade de reduzir níveis de colesterol total e LDL colesterol. Além de ser fonte de aminoácidos essenciais como a Lisina e a Metionina, não facilmente encontrados em grãos. Esse vegetal é, ainda, fonte de outros nutrientes como: Cálcio, magnésio, fibras, fósforo, zinco, vitaminas A e C e ácidos graxos insaturados.
O teor de fibra do amaranto é 25% mais elevado que o do trigo integral, além disso, o seu teor de ferro e cálcio é cinco vezes maior. As sementes também devem ser consumidas, elas são uma excelente fonte de vitaminas B2, B3 e B5, rica em vitamina B6 e ácido fólico, fornecem também minerais e quando cozidas são fonte de ferro e cálcio.
Assim como a combinação arroz e feijão, o amaranto e a quinoa se complementam e formam uma excelente fonte proteica. O amaranto é composto por cerca de 16% de proteína de alto valor biológico, uma porcentagem maior que a de outros grãos tradicionais como: 9,33% de milho, 8,77% do arroz e trigo 14,84%. Sua absorção pode atingir níveis entre 70% e 100%. Consumido pela maior parte da população pela manhã, a ingestão do amaranto garante mais proteína para o organismo do que alimentos que estamos habituados a comer no café da manhã, como o pão, leite e o queijo.
Por ser uma excelente fonte de proteínas, o amaranto é um bom aliado para quem busca hipertrofia muscular. O ideal seria garantir a ingestão desse grão de 20 a 60 minutos após o treino anaeróbico.
Muito conhecido entre o público com restrição alimentar, o amaranto é naturalmente isento de glúten, por isso pode ser consumido por pessoas que possuem doença celíaca e pode ser muito utilizado para a produção de pães e bolos tanto para os celíacos como aqueles que não possuem restrição.
Versátil na cozinha, o amaranto pode ser preparado com frutas e iogurte ou como ingrediente para preparação de pães, bolos, doces, sopas e vitaminas. E ainda pode ser consumido como pipoca. 



Referências bibliográficas:
AMAYA-Farfan. et al. O Brasil deveria investir em novos grãos para a sua alimentação? A proposta do Amaranto. Unicamp, 2005.
Guia Alimentar para a população Brasileira: promovendo a alimentação saudável. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à saúde: Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.
AVILA, Mariana Ferrid. Amaranto, benefícios para a saúde e para a boa-forma.
MARCÍLIO, R. et al. Fracionamento do grão de amaranto brasileiro e suas características composicionais. Ciência e tecnologia dos alimentos, 2003.
TACO, Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, Versão 2, Campinas ? SP, 2006.
GONÇALVES, Paulo Eiró. Livro dos Alimentos. MG Editores, 2001.
ARAÚJO, W.M.C. et al. Alquimia dos Alimentos. Brasília: Senac, 2007.
Sites:
http://www.nutricio.com.br/quinua-amaranto.htm. Acesso em: 01 de março de 2013.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Equipe CASA 2013

Venha fazer parte da equipe CASA em 2013!


Processo seletivo voltado para estudantes de graduação da Universidade de Brasília.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Participação do Projeto CASA na Semana Universitária


A Semana Universitária é um projeto anual da Universidade de Brasília que tem o intuito de divulgar a produção acadêmica, promover o diálogo e a troca de conhecimentos, saberes e tecnologia com a sociedade de Brasília e Entorno. Este ano, o evento ocorreu entre os dias 22 e 26 de outubro com a temática “Ciência, Inovação Tecnológica e Sociedade: o projeto da UnB 5 décadas depois”.
            Desde sua criação, o Projeto CASA participa de diversas atividades da Semana Universitária. Neste ano, foram realizadas exposição sobre a quantidade de gordura, açúcar e sal presente em diversos alimentos disponíveis nas lanchonetes da UnB. Outra atividade foi a elaboração de um workshop sobre agrotóxicos, que contou com a participação da Profa. Dra. Eloísa D. Caldas (Universidade de Brasília – Depto de Farmácia) e do Dr. Ricardo B. Pereira (Embrapa).  Além disso, representamos o Depto de Nutrição na III Mostra de Curso da UnB, apresentando aos visitantes informações sobre o curso e algumas curiosidades nutricionais. Confira as fotos!
 
 

A Exposição de Gordura, Açúcar e Sal teve recorde de visitantes, mais de 150 participantes! (Danielle, Natália, Tayne, Dryelle, Walkyria, Ingrid, Isabelle e Bia)
 
 
III Mostra de Curso – Nutrição (Priscila, Bia e Natália)
 
 
Workshop “Frutas e Hortaliças com agrotóxicos: Qual o tamanho do risco?” com apresentação de posteres com as seguintes abordagens: a) Agrotóxicos, o que são?; b) Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos – PARA; c) Tendência do Consumo de Frutas e hortaliças pelo brasileiro, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, 2008-2009.
 
Quer fazer parte do Projeto CASA? Estão abertas as inscrições para o nosso processo seletivo!
Informações: casa@unb.br / (61) 3307-3375

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Workshop "Frutas e Hortaliças com agrotóxicos: Qual o tamanho do risco?"

O que você sabe sobre frutas e hortaliças com agrotóxicos? Qual a realidade no DF? Qual o risco?
Venha participar do nosso workshop e conheça mais sobre o assunto.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

É muito importante conhecermos a composição dos alimentos na hora de fazermos escolhas alimentares. O excesso de sódio, gorduras e açúcares é fator de risco para várias doenças crônicas, como a hipertensão arterial, a diabetes, a obesidade, entre outras. Para evitar o excesso desses componentes, precisamos conhecer os alimentos. Venha conferir no nosso estande as quantidades de açúcar, gordura e sal presentes nos alimentos disponíveis nas lanchonetes da UnB.

domingo, 14 de outubro de 2012

Atividade Semana Mundial da Alimentação


Olá pessoal! Depois de um tempo parado, agora o CASA vai voltar a todo vapor a atualizar o blog e as mídias sociais com notícias, assuntos populares e eventos na área de nutrição!
Bom, para abrir com chave de ouro nosso retorno, iniciaremos com a divulgação de uma data comemorativa ao Dia Mundial da Alimentação. Vocês sabiam que essa data existe? Pois então, é o dia 16 de outubro. Pessoal da Nutrição deve ficar de olho, pois ocorrerão algumas atividades muito interessantes em prol desse dia.
E para comemorar essa data, o Instituto FIOCRUZ está realizando a Semana Mundial da Alimentação com diversas palestras e atividades de dinâmicas corporais para movimentar a sociedade para a temática ALIMENTAÇÃO. Tudo a ver com a Nutrição, não é?
O evento É GRATUITO e contará com profissionais de todo Brasil e é aberto a profissionais tanto de nutrição como de qualquer área da saúde ou interessados na temática. Serão abordados temas como: contaminação de alimentos por agrotóxicos, obesidade infantil, como fazer escolhas saudáveis, como anda a fiscalização sanitária no DF, entre outros temas IMPERDÍVEIS!
Além de palestras, mesas redondas e debates, a programação prevê a realização de oficinas e dinâmicas corporais, como Yoga, Tai Chi, meditação ativa e dança de salão. Mas corram! As inscrições para as dinâmicas são limitadas.
A data do evento é de 15 a 19 de outubro de 2012, das 9 às 18h e acontecerá no FIOCRUZ. Endereço: L3 Norte – Campus Darcy Ribeiro.
Maiores informações: (61) 3329-4508 ascombrasilia@fiocruz.br |www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br
Para a inscrição nas dinâmicas corporais e mais informações, acessem o link: http://www.fiocruz.br/fiocruzbrasilia/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1138&sid=6

Espero que todos aproveitem!!! 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Adolescência e Alimentação Saudável: desafios e estratégias

Por Cainara Lins e Isis Alves

A adolescência é uma fase da vida onde ocorrem profundas transformações biológicas e psico-sociais que envolvem intenso crescimento e desenvolvimento. Esta fase é também caracterizada por um aumento das necessidades de energia e nutrientes para poder proporcionar um crescimento adequado. Inúmeros fatores ambientais intervêm no processo de crescimento e não há dúvidas de que um dos mais importantes é a nutrição. Para nos esclarecer um pouco mais sobre o tema, a nossa entrevistada de hoje é a professora Doutora Natacha Toral Bertolin.

Graduada em Nutrição pela Universidade de Brasília (2002), Natacha possui especialização em Adolescência para Equipe Multidisciplinar pela Universidade Federal de São Paulo (2003), mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (2006 e 2010). Atuou como consultora técnica da Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde de 2006 a 2010. Atualmente, é professora adjunta do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Nutrição, com ênfase em Nutrição em Saúde Pública, atuando principalmente nos seguintes temas: comportamento e consumo alimentar, adolescentes, Modelo Transteórico e perfil nutricional de populações.

No decorrer da entrevista Natacha fala um pouco sobre o motivo do seu interesse em trabalhar com adolescentes, os principais desafios e estratégias em abordar a temática da alimentação saudável e a situação brasileira frente à elaboração de políticas públicas voltadas para esse grupo.

Por que o seu interesse em trabalhar com adolescentes?

Muitas pessoas criticam o público adolescente, dizendo que é uma fase de muitos problemas e muitas angústias, mas sabendo cativá-los e conquistando sua confiança tem-se um espaço aberto para trabalhar com questões de alimentação saudável e saúde. Os hábitos alimentares estão cada vez piores e eles não percebem esse hábito inadequado, ou mesmo quando sabem não se interessam em modificá-los e isso se constitui em um risco grande, pois os hábitos adotados na adolescência têm grande chance de se manterem na vida adulta.
A adolescência caracteriza-se como uma fase de risco, pois cada vez mais se vê a ocorrência de doenças crônicas como a obesidade, por exemplo, em alta prevalência nos adolescentes, sendo que tais doenças antes se manifestavam com maior freqüência na fase adulta ou em idosos.

Quais as principais estratégias a serem utilizadas nessa fase?

Acredito que seja fazer com que os adolescentes tenham uma conscientização sobre seus hábitos nutricionais, pois se eles não percebem que sua alimentação está inadequada, não irão se motivar para modificar esses hábitos. O grande desafio é passar a importância da alimentação saudável para esse público e que eles reconheçam que isso é importante ainda na adolescência, e não como algo que eles tenham que se preocupar somente no futuro. De forma geral, deve-se que incentivar o consumo de frutas e hortaliças e ter o cuidado com a influência da mídia e do consumo, onde muitas vezes são veiculadas informações totalmente inadequadas, tanto para a realização de dietas desbalanceadas, quanto em relação à questão da imagem corporal. São aspectos imperceptíveis, mas que podem ter impacto na vida dos adolescentes a longo prazo.

Qual o assunto que os adolescentes mais se interessam?

O tema da imagem corporal é o que eles mais se interessam, porque eles vivenciam mudanças continuas no corpo. Como a mídia transmite constantemente essa questão da beleza, isso gera uma cobrança muito grande neles. Para tratar o assunto, deve-se deixar bem claro que a imagem que é passada pela mídia associada à beleza nem sempre leva em consideração a questão da saúde, podendo levar a alguns riscos.

Qual o assunto mais difícil de trabalhar com adolescentes?

O mais difícil é a incorporação dos hábitos alimentares saudáveis no dia-a-dia. Existem várias barreiras que os impedem de adotar hábitos saudáveis, como a falta de tempo (eles acham que já possuem uma vida muito corrida) e ter poucas opções lanches saudáveis na escola. Eles conseguem identificar tais limitações mais isso acaba sendo uma barreira para adotar hábitos saudáveis na adolescência. Essas limitações se tornam um aspecto importante para se trabalhar com eles em ações de educação nutricional.

Como melhorar o vínculo com os pais para se ter ações mais efetivas?

Quando se trabalha com o adolescente, acaba-se trabalhando indiretamente com a família, mas quando se consegue trazer os pais para a atividade de educação nutricional, pode-se ter um trabalho mais efetivo. Apesar dos adolescentes terem mais independência na escolha dos alimentos, quando chegam em casa, não são eles que irão preparar os alimentos, além disso dependem do que é comprado pela família.
É muito importante trabalhar com a família, pois ela que irá estabelecer com que esses hábitos sejam mantidos na vida do adolescente, até sua obtenção da independência total em relação à alimentação.

Como se faz pra cativar os adolescentes mais resistentes?

O profissional precisa estabelecer uma relação de confiança com o adolescente, para que ele consiga se enxergar em um ambiente favorável e agradável, que não propicie só imposições, e sim como algo que o beneficie e que ele possa incorporar no seu dia-a-dia.

Como está a política social do Brasil com relação aos adolescentes?

A área de saúde dentro do Ministério da Saúde tem mostrado trabalhos mais significativos voltados para o adolescente. Há pouco tempo foi estabelecida a caderneta de saúde do adolescente, que é um instrumento importante para monitorar o crescimento do adolescente na atenção básica. Esse monitoramento do crescimento do adolescente também vem sendo incorporado dentro do Programa Saúde na Escola, que é outro programa com foco na adolescência, mas que é voltado pra fase escolar de forma geral.
O Programa Saúde na Escola trás questões da promoção da saúde para dentro do ambiente escolar, sendo uma forma de estabelecer um vínculo entre as estratégias da saúde da família com o âmbito escolar, espaço ideal para irradiar informações sobre saúde. Existem também programas pontuais; aqui no Distrito Federal há os Praias e o Adolescentro.

O que preciso ser feito para melhorar a atenção nutricional a esse grupo?

Elaborar ações de educação nutricional melhor embasadas e trabalhar por meio dos núcleos de apoio a saúde da família (NASF), já que se constituem em um espaço onde se pode contar com o nutricionista. Acredito que poderia existir uma estratégia em que os NASF’s apoiassem ações educativas voltadas para o adolescente.

Referências:
BRAGGION, GF; MATSUDO, SMM; MATSUDO, VKR. Consumo alimentar, atividade física e percepção da aparência corporal em adolescentes. Rev. Bras. De Ciên. Mov. 2000, v.8, n.1, p15-21.

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Disponível em:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4702436U3 Acesso em: 02/12/2010.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil


Por Maína Pereira e Rafaella Santin


Para falar de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) foi convidada a Profª Dra. Muriel Bauermann Gubert (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4731744H9), atualmente professora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília (UnB). Fez a graduação, o mestrado e o doutorado na UnB. A disciplina Nutrição em Saúde Pública foi o seu primeiro contato e a responsável por despertar profundo interesse em traçar uma carreira acadêmica nesta área. Assim, tendo como tema central de seus principais trabalhos a Segurança Alimentar e Nutricional, ela contribuiu para o blog trazendo algumas informações mostradas a seguir sobre este tema tão importante.

Para começar, a professora Muriel relembra o conceito de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) “A SAN consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis”¹. Como pode-se observar a SAN é muito complexa, pois ela abrange diversos aspectos desde política agrícola, produção agrícola, política econômica até oferta de alimento. Ela trabalha toda a cadeia alimentar até o alimento chegar a mesa, estar disponível para todos e ser utilizado pelo organismo de forma adequada, garantindo a saúde, conforme afirma Muriel.

A professora Muriel conta que iniciou o trabalho com insegurança alimentar (IA) no governo Lula, quando o programa Fome Zero estava em alta e a fome era uma das pautas políticas. Neste período, veio para o Brasil um pesquisador da Universidade de Conecticut, Rafael Perez Escamilla, que propôs a validação de uma escala de insegurança alimentar no país. Dentre os vários profissionais que trabalharam na validação dessa escala, que posteriormente seria chamada EBIA (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar), estavam professores da UNICAMP e a Profª Muriel. A escala é composta por 15 itens e é resultado da adaptação e validação da escala HFSSM-USDA. Ela permite a classificação da IA em graus de severidade, que vai desde “segurança alimentar” até “insegurança alimentar grave”.


A situação de IA no Brasil foi avaliada no PNAD em 2004, no qual observou-se que Santa Catarina foi o estado com menos IA (2%), enquanto que o a situação mais grave pode ser observada no Maranhão (18%). De acordo com os dados da prevalência municipal, (http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102311X2010000800013&script=sci_arttext) o Nordeste apresenta IA grave, no qual 65,6% dos municípios têm prevalência muito alta de insegurança alimentar grave. Enquanto que no Sul 52,8% dos municípios tem baixa prevalência de insegurança grave. Entretanto, dados mais recentes de IA serão publicados na PNAD de 2009, que cuja liberação está prevista para novembro desse ano.


Além disso, ela afirma que para melhorar a situação brasileira de IA estão sendo tomadas medidas preventivas que atuam a longo prazo e que ainda não é possível observar todos os seus resultados. Para que isso ocorra da melhor maneira é necessário trabalhar tanto com os determinantes distais quanto com os proximais, como por exemplo, a empregabilidade de um cidadão e a comida na mesa obtida através dessa renda, respectivamente.


Quando questionada sobre qual é a sua perspectiva quanto à Insegurança
Alimentar no Brasil, a professora Muriel acredita que, dentre outras coisas, a renda deve ser melhorada através da educação. A partir disso, é possível qualificar as gerações seguintes, de tal maneira que o ciclo de uma família de baixa renda será quebrado, formando assim uma nova família com uma renda melhor. Entretanto, se essas mudanças são feitas nos dias de hoje, o resultado aparecerá somente daqui a 10 ou 20 anos. Segundo ela, essas ações corretivas já estão sendo feitas, mas aos poucos. Além disso, políticas emergenciais também estão sendo realizadas, como é o caso do Bolsa Família, sendo às vezes, a única oportunidade daquela família de conseguir algum alimento. Segundo Muriel, as políticas emergenciais devem ocorrer juntamente com as ações corretivas, afinal, sem isso, seria muito difícil quebrar o ciclo de pobreza vivido.

Para finalizar, a professora Muriel afirma que a Segurança Alimentar e boas condições de saúde, que refletem no estado nutricional, são resultados de políticas mais estruturantes, que não serão só corrigidas com a distribuição de renda. Além disso, esse tipo de trabalho envolve milhões e milhões de pessoas com realidades e condições ambientais diferentes. Para isso a SAN participa de uma abrangência social muito maior, intrinsecamente as dificuldades também serão maximizadas, o que não tira a satisfação pelo esforço de novos dados que gerem ações e políticas públicas a fim de que todos tenham uma alimentação adequada.

¹ Art. 3º da Lei 11.346 de 15 de setembro de 2006 – Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Políticas Públicas, Nutrição, Publicidade e Responsabilidades

Karoline Cruvinel e Marcella Chaves
A entrevistada de hoje é a professora Doutora Anelise Rizzolo de Oliveira Pinheiro, formada na Universidade Federal de Pelotas – UFPel - RS, atualmente professora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília – UnB e pesquisadora associada do OPSAN/UnB. Possui mestrado em Saúde Pública e doutorado em Política Social na UnB. Profissional ativa e curiosa às crescentes mudanças dos programas e dos movimentos sociais, sempre teve inclinação para Nutrição Social e Saúde Pública, com um carinho especial pelo ambiente universitário.


Dentre idas e vindas entre Brasília e o sul do país, sempre acompanhada pelo marido, decidiu que o seu lugar era em Brasília, cidade pela qual diz ser apaixonada. Além de lecionar na UnB, trabalhou no Ministério da Saúde na Coordenadoria Geral da Política de Alimentação e Nutrição.

Em uma conversa muito descontraída, a entrevistada fala sobre a relação entre o estado, a indústria e sociedade em relação às políticas públicas de saúde e de nutrição do país, além de questionar algumas mudanças e mostrar que políticas públicas envolvem muito mais do que se pensa.


Dentre as políticas públicas de nutrição, qual o tema mais polêmico/interessante?

Tudo que é falado de nutrição dentro de políticas públicas tende a ser polêmico, pois o alimento e a alimentação hoje são vistos como uma mercadoria qualquer, virando um nicho de mercado que visa a competição e o lucro, o que é um absurdo. Algo que acredito ser muito polêmico e que me chama bastante atenção nesse cenário atual está ligada a regulamentação da publicidade de alimentos.


Quando se fala de publicidade e marketing de alimentos, acho que existe um desrespeito enorme das mídias em geral, em que tudo é voltado para proteger à saúde em nome de gerar lucro. De certa forma, acho que se instalou um quarto poder no mundo e no Brasil, poder que acha que pode tudo e não respeita Estado, valores e família, tudo em nome da acumulação de capital. Uma das coisas que eu mais me preocupo em alertar os meus alunos é tentar mostrar que somos enganados o tempo inteiro. Então precisamos despertar para ter uma consciência crítica deste processo.


Qual exemplo você poderia nos dar sobre desrespeito na publicidade de alimentos?

As diversas propagandas mentirosas veiculadas na mídia diariamente são um exemplo. É um crime contra a população veicular mensagens enganosas. Nos submetemos a coisas que nos ferem e violam nosso direitos como cidadãos todos os dias e não percebemos, sendo arrastados pela má informação ou dês-infomação. Diferente do que se pensa, essa questão não está ligada somente ao livre arbítrio, mas também às políticas públicas de nutrição.

Outro exemplo são as gôndolas de supermercado perto dos caixas para pagamento, que induzem às crianças/filhos a comprarem produtos desnecessários. Em países escandinavos é proibido um supermercado ter esse tipo de gôndola, pois há proteção à pessoa e não à empresa. Acredito que as pessoas devem ter consciência e a capacidade de dizer que prefere isto ou aquilo, ou seja, de escolher, mas sabendo o que acarretará a sua escolha. Atualmente, a mídia, como representante dos interesses das industrias de alimentos, joga para a sociedade uma responsabilidade que deve ser em grande parte sua. Não podemos ficar brincando de “gato e rato o tempo todo, sociedade e mercado e vice – versa.


As políticas de saúde e nutrição se relacionam intensamente com isso, visto que a criação de uma política acontece devido a carência ou desequilíbrio em alguma parte do processe da cadeia alimentar. Por exemplo, o programa nacional de suplementação de ferro (política pública de nutrição onde há suplementação de ferro medicamentoso e enriquecimento da farinha de trigo e milho com ferro e ácido fólico). O modelo de alimentação industrializada , o tipo de alimento consumido e até o padrão de nutrientes no solo que se produz o alimento hoje mudaram e com ele surgiu a necessidade de ”suplementar/compensar e/ou adicionar por exemplo, ferro aos alimentos (no caso das altas preval6encias de anemia no grupo materno – infantil). Por isso digo que tudo está interligado: dieta, políticas públicas, publicidade e até a escolha de determinado alimento.

Mas porque devemos achar normal e aceitar esse modelo de progresso que está levando a humanidade à obesidade e às doenças crônicas ligadas à alimentação? Porque não podemos escolher outro modelo? Porque devemos culpar as pessoas por isso? Não é o progresso que está errado. Não existe somente um modo de gerar progresso. O progresso pode ser fruto de um modelo de desenvolvimento mais justo, equitativo e sustentável, por que não ??? Porque as gerações futuras não podem avançar nisso? Se mais pessoas pensarem diferente, outras formas começarão a ser discutidas. O consumo sustentável, por exemplo, é um modelo que admite necessidade do consumo, mas estabelece limites e uma dinâmica circular /espiral dos processo produtivos para preservar o meio ambiente e promover saúde.

O que você considera mais importante como meta para a saúde pública e a nutrição para os próximos anos?
O mais importante é que o Estado, a indústria e a sociedade assumam conjuntamente responsabilidade sobre as políticas públicas, e estabeleçam um pacto sério. E que os objetivos das políticas sejam mais ousados, pois a própria Política Nacional de Alimentação e Nutrição está distante do que deveria, já que possui pouca representatividade no cenário político.

O embate de regulamentação da publicidade, que foi aprovada, fez a indústria se voltar contra o Ministério da Saúde. Esse tipo de situação revela a preocupação do mercado unicamente com seus interesses. Por um lado, o Ministério da Saúde compreende a necessidade de lucro da indústria, por outro lado, é preciso que a indústria entenda a necessidade de promover/produzir a saúde. Então, é preciso haver flexibilidade dos dois lados, ambos precisam fazer concessões, o que é negado pela indústria, que não quer perder sua lucratividade.

Caso contrário, serão feitos pequenos ajustes, e até pequenas mudanças acontecerão, porém de forma lenta e com impacto social imperceptível. É preciso impedir que o mercado consiga sempre vitória em relação aos cidadãos, que arcam com o maior prejuízo.


Qual seria a função da sociedade nessas mudanças?

Nesse meio, a função da sociedade é reconhecer e assumir sua responsabilidade, acreditar na sua capacidade de mudança e de gerar resultados, uma vez que polemizar e reivindicar por direitos causam impacto, para que assim as empresas reconheçam e assumam sua responsabilidade e se modifiquem.





segunda-feira, 17 de maio de 2010

Alimentação na Gestação

Por Cainara Lins


A gestação é uma etapa da vida em que organismo sofre várias adaptações, como o aumento de 50% do volume sanguíneo e de 20% da freqüência respiratória. Além disso, ocorre aumento da demanda de energia e de nutrientes devido ao intenso processo de formação dos tecidos e desenvolvimento do bebê. Assim, o período gestacional é marcado por aumento das necessidades nutricionais, decorrentes das mudanças corporais da gestante e da demanda de nutrientes para o crescimento fetal.

Muitas gestantes, em função dessa demanda energética elevada, acreditam que podem comer de tudo e na quantidade que desejarem, muitas vezes sem se preocupar com a qualidade dos alimentos consumidos. Porém vale destacar que durante a gestação deve haver sim preocupação pelos alimentos consumidos. Os alimentos poderão influenciar diretamente no desenvolvimento do bebê e no aparecimento de complicações futuras.


Vejamos alguns exemplos de como a carência de nutrientes pode influenciar na saúde da gestante. A deficiência de vitamina C pode aumentar o risco de infecções, pré-eclâmpsia (quadro de hipertensão na gravidez) e parto prematuro, já a deficiência de ácido fólico pode causar defeitos na formação do tubo neural do bebê, por exemplo. Dentre os nutrientes que têm a necessidade aumentada durante a gestação podemos destacar o ferro, ácido fólico, cálcio, vitamina A, vitamina C, vitamina D e zinco. Portanto, a gestante deve priorizar o consumo de alimentos fonte desses nutrientes.


Para aumentar a ingestão de ferro recomenda-se consumir vegetais de cor verde escuro, tais como brócolis, couve, espinafre, carne e ovos. O ácido fólico, assim como o ferro também pode ser encontrado nos vegetais de cor verde escuro, e alimentos como a laranja com bagaço e o feijão preto cozido.


Para aumentar a ingestão de cálcio deve-se priorizar o consumo de leite e derivados; já para aumentar o consumo da vitamina C deve-se procurar consumir frutas cítricas, como a acerola, a laranja e o kiwi. A vitamina D pode ser encontrada em alimentos como o atum, a sardinha, o óleo de peixe e a gema de ovo e o zinco pode ser encontrado nas castanhas, nozes e cereais integrais. Por fim, as necessidades da vitamina A podem ser supridas consumindo alimentos fonte de carotenóides (pigmento de origem vegetal), que no nosso organismo serão convertidos na vitamina. Os carotenóides podem ser encontrados em folhosos verdes escuros e em alimentos de cor alaranjada como a abóbora, mamão, manga e cenoura.

Apesar da sua importância, a vitamina A, se consumida em excesso, pode ser tóxica na gestação. O consumo de vitamina A não precisa ser diário, já que sua recomendação é facilmente atingida com os alimentos fonte, o ideal seria consumir esses alimentos no mínimo uma vez na semana em dias alternados. Seguem exemplos da quantidade a ser consumida de alguns alimentos:

4 colheres de sopa de abóbora cozida;
1 mamão papaia médio;
1 cenoura média;
3 ramos de brócolis;
4 colheres de sopa de espinafre.
(Vitolo, 2008)

Além dos
nutrientes, outro ponto muito importante na alimentação durante a gestação é o consumo de adoçantes (também chamados de edulcorantes). Infelizmente não existe muita divulgação a respeito desse aspecto, e muitas gestantes os consomem sem controle. O recomendando é a restrição do consumo de edulcorantes a base de sacarina, já que esta pode atravessar a placenta e prejudicar o desenvolvimento do bebê. Uma sugestão é, caso realmente seja necessário o uso de adoçante, a troca para o consumo de edulcorantes a base de sucralose, já que possuem um poder de doçura parecido e não prejudicam o feto.


Por fim, observa-se que a alimentação da gestante influencia diretamente na saúde, crescimento e desenvolvimento adequado do bebê, seu peso ao nascer, nas chances de prematuridade, mortalidade e desenvolvimento de doenças. Dessa forma, é imprescindível o acompanhamento de profissionais na avaliação nutricional e no monitoramento do ganho ponderal de peso, para assim garantir a saúde da gestante e do bebê.


E lembre-se sempre, ter uma alimentação saudável é muito importante em todas as fases da nossa vida. Através dela podemos prevenir doenças, aumentar a longevidade e ficar mais dispostos para encarar o dia-dia. É uma forma simples, prática e barata de cuidar da sua saúde. E caso você não esteja grávida, também busque uma alimentação saudável e equilibrada. Isso também será fator determinante para uma boa gestação no futuro.


Referências Bibliográficas:


- COELHO KS, Souza AI, Batista FM. Avaliação antropométrica do estado nutricional da gestante: visão retrospectiva e prospectiva. Rev Bras Saude Mater Infantil. 2002;2(1):57-61.
- TIRAPEGUI, Julio. Alimentação na Gestação e Lactação. In: Nutrição Fundamentos e Aspectos Atuais. Cap. 08. 2ª Ed. São Paulo: Ed. Atheneu, 2006.
- VITOLO, Márcia Regina. Recomendações Nutricionais para Gestantes. In: Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Cap. 09. Rio de Janeiro: Ed. Rubio, 2008.
- WERUTSKY, Natalia Mira de Assumpção et al. Avaliação e recomendações nutricionais específicas para a gestante e puérpera gemelar. Einstein (São Paulo); 2008; 6(2):212-220.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Aditivos Alimentares



Por Daiane Sousa


Quem tem o hábito de ler os rótulos de alimentos já se deparou, na lista de ingredientes, com algumas palavras "estranhas" como espessante, antiumectante, estabilizante, antioxidante, edulcorante, entre outras.

Afinal, o que esses "ingredientes" significam? Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), além da matéria-prima normalmente utilizada para a fabricação do alimento industrializado, é necessário citar, na lista de ingredientes, todos os aditivos alimentares que o mesmo possui.


Os aditivos alimentares têm sido usados por séculos: nossos ancestrais usaram sal para preservar carnes e peixes; adicionaram ervas e temperos para melhorar o sabor dos alimentos; preservaram frutas com açúcares e conservaram pepinos e outros vegetais com vinagre. Entretanto, com a vida moderna, mais aditivos têm sido empregados, a cada ano. São nos produtos industrializados do nosso cotidiano, como os de baixo valor calórico, fast-food, salgadinhos embalados (snaks), que encontramos os aditivos mais “modernos”. Se por um lado estes produtos são fundamentais para preservar estes alimentos, por outro lado, são eles que modulam o seu aspecto visual, seu sabor e odor, para deixá-los mais palatáveis e atrativos ao consumidor. O lado bom é que alguns deles são empregados para aumentar o valor nutricional e evitar a sua decomposição ou oxidação com o passar do tempo. O número de aditivos atualmente empregados é enorme, mas todos eles sofrem uma regulamentação federal no seu uso: alguns são permitidos somente em certas quantidades, enquanto que outros já foram banidos.



Mas para que servem os aditivos alimentares? Será que eles prejudicam a saúde do consumidor?

De acordo com a ANVISA, considera-se aditivo alimentar qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem o propósito de nutrir, mas com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais (como aroma, cor, sabor e odor) durante o processamento do alimento. Esta definição não inclui substâncias nutritivas que sejam incorporadas aos alimentos para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais e nem contaminantes.

Nas indústrias, os aditivos alimentares também são utilizados para aumentar o prazo de validade dos alimentos e prevenir alterações indesejáveis (como, por exemplo: bolor), facilitando também sua disponibilidade durante qualquer época do ano, para um grande número de consumidores e, em muitas ocasiões, a um baixo custo.



Quanto à saúde, é preciso cuidar dos tipos e quantidades. Para tanto, o Ministério da Saúde, por meio da ANVISA, regulamenta e limita seu uso a alimentos específicos, na menor quantidade possível, para alcançar o efeito desejado; evitando assim, qualquer tipo de problema de saúde.


Antes de um novo aditivo ser liberado para uso em produtos industrializados, pesquisas são realizadas com objetivo de avaliar possíveis efeitos tóxicos, sendo que sua utilização é proibida:


- quando há evidências ou suspeitas de que o aditivo não é seguro para o consumo, ou
- quando interfere desfavoravelmente no valor nutritivo do alimento, ou
- quando serve para encobrir falhas no processamento e na manipulação do produto, ou ainda, para encobrir alterações e adulterações da matéria-prima ou do produto já elaborado, enganando o consumidor.

Mas, apesar do rigor dos estudos e da legislação e mesmo sabendo que nem todos os aditivos alimentares são sintéticos - sendo que muito deles são naturais (como alguns corantes, aromatizantes e flavorizantes) - não há como impedir que pessoas mais sensíveis, possam desencadear alergia ou intolerância a eles, assim como existem, aquelas que têm alergia ou intolerância a alimentos in natura e sem aditivos, como frutas frescas, ovos ou pescados.



Veja na tabela a seguir, os principais aditivos alimentares utilizados pela indústria, suas funções e alguns exemplos:






Fonte: ANVISA


Agora use esta tabela na prática:

Procure um alimento industrializado na sua casa. Encontre, na embalagem, a lista dos ingredientes. Identifique e ache a função de cada um dos aditivos alimentares presentes.



Mas atenção, os produtos industrializados fazem parte do nosso cotidiano e devemos sim buscar informações seguras quanto ao processamento e valores nutricionais. A população deverá ser esclarecida quanto aos sabores artificiais e baixo valor nutricional de snacks, por exemplo. Além disso, uma alimentação saudável deverá conter, necessariamente, produtos in natura, como frutas e hortaliças, diariamente. São alimentos perecíveis, mas de altíssimo valor nutricional.


Referências bibliográficas:

ANVISA, Legislação Específica de Aditivos Alimentares e Coadjuvantes de Tecnologia. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/ALIMENTOS/legis/especifica/aditivos.htm. Acessado no dia 4 de fevereiro de 2010.

POLÔNIO, M. L. T.; PERES, F. Consumo de aditivos alimentares e efeitos à saúde: desafios para a saúde pública brasileira.

SCHVARTSMAN, S. Aditivos Alimentares. Revista de Pediatria São Paulo USP, número 4, páginas de 202-210, 2002.

TONETTO, A. S. de; HUANG, A. O Uso de aditivos de cor e sabor em Produtos Alimentícios. Universidade de São Paulo. São Paulo, novembro de 2008. Disponível em: http://74.125.155.132/scholar?q=cache:lxVRZfe-1hgJ:scholar.google.com/+aditivos+alimentare&hl=pt-BR&as_sdt=2000. Acessado no dia 4 de fevereiro.